sexta-feira, 29 de junho de 2007

Só damos valor a algo quando perdemos

Quarta-feira agora faz quatro anos que cheguei aqui no Rio de Janeiro. Apesar de ter nascido em Divinópolis, nunca morei em Minas. Passei minha vida inteira em São Paulo, a cidade que eu amo e considero como minha segunda terra.
O engraçado é que só passei a amar a cidade quando descobri que eu ia embora de lá. Só passei a dar valor em São Paulo quando meu pai, naquela noite de março, disse que existia a possibilidade de irmos embora para o Rio. Cara, essa é a pior notícia que eu já recebi. Não, não estou dizendo que o Rio seja um lugar ruim. Por favor, cariocas, longe disso. Mas eu tinha morado em São Paulo minha vida inteira. (Quase) todos os meus amigos estavam lá. Eu estava na oitava série, planejando minha formatura e tudo mais... Agora, coloquem-se no meu lugar. Vocês passam a vida inteira num lugar, estão pra se formar com uma turma que adoram e, de uma hora pra outra, recebem a notícia que vão pra uma cidade completamente estranha, onde não conhecem ninguém e que não vão se formar com sua turma. Isso é assustador, não é?
Mas, como eu tava dizendo no início do parágrafo anterior, antes de eu saber que eu ia embora de São Paulo, eu não gostava de lá. Sei lá, era muito violento, muito bagunçado... Mas então passei a perceber as coisas boas e bonitas da cidade. Passei a amar São Paulo e não quis sair de lá. Meu pai sempre diz que nunca gostamos do lugar onde estamos morando, e concordo com ele. Prefiro São Paulo ao Rio de Janeiro e não nego isso. Mas, com certeza, se eu me mudar pra outra cidade (tirando as de Minas, claro) vou gostar mais do Rio do que dessa cidade. E acredito que isso aconteça com todos. Você vai saber do que eu estou falando, no dia que tiver que mudar de estado contra sua vontade.
Sou uma prova viva daquele velho ditado "Só damos valor a algo quando perdemos"
Para finalizar, faço minhas as palavras de Oswald Drummond em "Canto de Regresso à Pátria"

" Não permita Deus que eu morra
Sem que eu volte para São Paulo
Sem que eu veja a rua 15
E o progresso de São Paulo"

Lucas C. Silva

quinta-feira, 28 de junho de 2007

Carlos Simon e Ana Paula. Machismo, ou conspiração?

No jogo Botafogo e Figueirense, válido pela semi-final da Copa do Brasil, a bandeirinha Ana Paula Oliveira anulou dois gols legais para o time carioca. A torcida botafoguense ficou revoltada com a atuação da bandeirinha, e com uma certa razão. Certa razão, pois o Botafogo chegou ali com a ajuda da arbitragem. Na rodada anterior, Carlos Eugênio Simon não dera um pênalti claro para o Atlético Mineiro, que se convertido, daria a classificação para os mineiros. Sua punição demorou mais de um dia para ser dada. No dia do jogo Botafogo x Figueirense, o presidente da Federação Brasileira de Arbitragem suspendeu Ana Paula Oliveira por 3 rodadas. Agora a FIFA a tirou de seu quadro de arbitragem. Afinal, se tiraram a Ana Paula, por que não tiram o Simon também?
Está certo que a Ana Paula Oliveira já vem cometendo alguns erros bizonhos há algum tempo, mas e Carlos Eugênio Simon? Não sei se vocês lembram, mas no jogo Itália vs Gana, na copa da Alemanha, o Simon não deu dois pênaltis claros para Gana. Se os africanos tivessem vencido, a Itália pegaria o Brasil na fase seguinte da copa e, provavelmente, a França nas quartas, adversários muito mais difíceis que Austrália e Ucrânia. Se não fosse pelo Carlos Eugênio Simon, a história da Copa teria sido completamente diferente.
No Campeonato Brasileiro de 1999, Simon apitou a final entre Atlético e Corinthians. Se esquecermos que o zagueiro corinthiano Índio tirou a bola da área com a mão (sem marcação de pênalti) e Marcelinho Carioca esmurrou a cara de Gallo, provocando um corte em sua bochecha, e não tomou sequer um amarelo, a arbitragem foi direitinha. Ah, não foi não! Belleti foi expulso ao fazer uma falta normal num corinthiano. E o Marcelinho jogou até o final...
E agora, mais recentemente, Carlos Eugênio Simon não enxergou o pênalti de Alex, do Botafogo, em cima do Tchô... Pênalti que todas as quarenta e tantas mil pessoas no Maracanã viram, que milhões de telespectadores viram, que 22 jogadores em campo viram... E só Carlos Simon não viu... E o que aconteceu? Botafogo venceu! Parabéns!
Pois é... Mas, vocês sabem o que o Botafogo, o Corinthians e a Seleção Italiana têm em comum? Força politica! Infelizmente, Itália, São Paulo e Rio de Janeiro têm mais força política, e mais voz, que Gana e Minas Gerais, que foram prejudicados. No jogo contra o Botafogo, o zagueiro Lima diz uma frase que resume tudo "Time do Rio é assim, sempre prevalece". E é verdade! Não adianta discutir, porque é mais do que provado que é. É só ver o caso das punições de Simon, que tirou 3 semanas de folga no Brasil, mas apitou jogos da Libertadores e está apitando jogos da Copa América, e de Ana Paula Oliveira, que está suspensa do Campeonato Brasileiro e da Fifa.
O ex-árbitro Oscar Roberto Godoy é outro ladrão, mas defende uma tese plausível. Árbitro que erra favorecendo time do Rio ganha prestígio junto à CBF. Querem exemplos? José de Assis Aragão fez uma das arbitragens mais polêmicas da históra na final do Brasileirão de 1980, vencido pelo Flamengo. Naquele ano, se tornou árbitro da Fifa. José Roberto Wright, naquele vergonhoso Atlético x Flamengo da Libertadores de 1981. Ele só faltou expulsar, nas palavras de Milton Neves, "o Aleijadinho e o Tiradentes". Por WO o Flamengo se classificou. E adivinhem quem apitou a final da Copa de 1990? O próprio.
Voltando à pergunta feita anteriormente, se expulsaram a Ana Paula, por quê não expulsam o Simon também. A resposta é a seguinte, Simon não foi expulso porque o Rio de Janeiro, São Paulo e a Itália foram favorecidas nas "arbitragens" dele. Acho que, para as arbitragens ficarem menos suspeitas (isso para não dizer mais honestas), pelo menos no Brasil, deveria começar mudando a cidade-sede da CBF. Afinal, a capital do país é Brasília há 47 anos. Então, por que não transferem a sede da CBF pra lá? Enquanto a sede estiver no Rio e as Forças do Eixo (sim, a ambiguidade com as Forças do Eixo da Segunda Guerra é proposital) estiverem no comando, o futebol brasileiro vai continuar do jeito que está.

Lucas C. Silva

terça-feira, 26 de junho de 2007

Crônica de atleticanos que servem para o Brasil - escrita em 11/05/2007

Perdemos nossa capacidade de nos indignar.
Indignar sobre o que mesmo?
Um povo sem memória não se indigna, apenas reclama.
Reclama sobre um roubo, sobre um assassinato.
Eita povo que só reclama.
Quem fica calado está certo. Bola pra frente. O que passou passou.
Vamos esquecer tudo isso. Amanhã será diferente.
Continua reclamando? Choro de perdedor.
Tá reclamando de que mesmo? Nem lembro.
E amanhã acontece tudo de novo.

Amanhã, porque não agimos, quem roubou continua roubando.
Quem matou continua matando.
Quem esqueceu, nem lembra. Reclama de novo.
Mas quem se indigna não esquece.
Não deixa barato. Não aceita. Bate o pé. Vai atrás.
Eita cara chato. Esquece isso.
Vamos comer uma pizza.

Ei, Mãe, liga a TV. Esse Wright não é aquele de 1981?
Aquele que usou um microfone?
Esse Márcio Resende não é aquele da final de 1995?
Ou seria da final do Campeonado Mineiro?
Ou será que são a mesma pessoa?
E eles estão comentando arbitragem?
Esse Simon não era aquele que criticou o Edilson Pereira?
Mas não foi ele que apitou o jogo do Brasiliense?
Ou foi o jogo do Atlético e Botafogo?
Ai, ai, nem me lembro mais.

Vou seguir as palavras de Fernando Pessoa.
Vou reclamar amanhã. Só amanhã.
Hoje quero preparar-me.
Quero preparar-me para reclamar amanhã.
Amanhã sentar-me-ei à secretária para botar a boca no mundo.
Hoje não. Hoje tenho vontade de chorar.
Depois de amanhã serei outro.
Hoje quero dormir. Reclamarei amanhã.
Ou quem sabe depois de amanhã.
Sim, só depois de amanhã.
Hoje tenho sono frio de um cão vadio.
Tenho muito sono.

Sei que um dia esse texto vai ser atribuído ao Cristovam Buarque.
Quem sabe um Luis Fernando Veríssimo ou algum deputado.
Ou será que foi o presidente que disse isso?
Nem me lembro.
Só espero que o que aconteceu ontem contra o Atlético não seja esquecido.
Mesmo que seja nas palavras de Chico Anysio. Ou seria Jô Soares?
Assis Aragão, Roberto Wright, Wilson de Souza, Márcio Resende, Carlos Simon.
Geninho, Mário Sérgio, Mancini e Cicinho.
Eu ainda lembro.

Getúlio Morato

segunda-feira, 25 de junho de 2007

Caso Jean Charles. E se fosse o contrário?

A cada reportagem que assisto, que leio e que ouço, mais raiva sinto da polícia britânica. Eu os respeitava, e até admirava até aquela segunda feira, 25 de julho de 2005 quando, assistindo ao Bom Dia Brasil, vi que o "terrorista" morto pela "polícia" britânica era um eletricista mineiro, chamado Jean Charles de Menezes.
A indignação tomou conta do mundo e as autoridades fizeram pouco caso. Chegaram líderes na TV e pediram desculpas, disseram que sentiam muito e todas aquelas desculpas esfarrapadas... Mas a Scotland Yard, pra tirar o dela da reta, começou a inventar um monte de acusações falsas. Disseram que Jean tinha atitudes suspeitas. Que estava com um agasalho pesado no verão londrino, que correu da polícia, que pulou a catraca e que até havia estuprado uma mulher anos antes (!) Todas essas acusações foram desmentidas. Mas, adiantou alguma coisa?
Os policiais não foram punidos, o governo britânico está pouco se lixando para a família de Jean Charles e o governo brasileiro, adivinhem? Não está fazendo nada!!!
Mesmo que esperar uma atitude do governo brasileiro é difícil. Afinal, não conseguem sequer controlar o que acontece em solo brasileiro, como podem exigir alguma coisa do governo britânico?
Agora fica a pergunta: e se fosse o contrário? E se um inglês tivesse sido morto, por exemplo, pela polícia paulista na estação da Sé? Pela polícia carioca na estação Botafogo? O que aconteceria?
Para começar acredito que os ingleses estariam fazendo uma pressão incrível sobre o governo brasileiro. Estariam exigindo punições e indenizações. Cedendo à pressão internacional, os policiais envolvidos seriam julgados, afastados da corporação e, provavelmente, presos.
Agora, por que isso não acontece na Inglaterra? É só porque a vítima é um brasileiro?
Só espero que justiça seja feita!

Lucas C. Silva

Samuel Rosa, Divinópolis e Casseta e Planeta

No dia 5 de junho o programa Casseta e Planeta passou por Minas Gerais no quadro "Casseta Brasil adentro". Eles juntaram alguns mineiros famosos para conversarem e fazerem piadas. Samuel Rosa, vocalista do Skank, foi contar uma história de um primo dele que ia do interior para Belo Horizonte para prestar o vestibular. Infelizmente ele escolheu mal as palavras e se referiu a minha amada Divinópolis como "roça".
Confesso que não liguei, afinal, não é todo o dia que se ouve falar de Divinópolis em rede nacional, o Casseta e Planeta é um programa humorístico, portanto é normal fazer piadas sobre Minas e, principalmente sobre o interior do estado. Mas isso não foi bem visto entre muitos de meus conterrâneos. Muita gente reclamou e Samuel Rosa se desculpou no Blog oficial da banda. Mas, será que o que ele fez foi tão grave assim?
Para começar, como eu disse acima, Casseta e Planeta é um programa humorístico. Fazem piadas com tudo e com todos. Então, não acho que tenha nenhum problema ele falar aquilo. E outra, logo após, Samuel Rosa se corrigiu. Ele disse "Não é que Divinópolis seja uma roça e meu primo é da região de Divinópolis". Amigos divinopolitanos (ou não) ficar chateados com a banda por causa disso, é uma atitude tão extrema quanto a da Riotur ao ameaçar processar os estúdios da Fox pelo episódio que os Simpsons vêm ao Brasil.
Por outro lado, Samuel foi infeliz em seu comentário. Como pessoa pública, ele precisa da simpatia de todos para vender seus cds. E um comentário desses, mesmo sendo em um programa humorístico, pode deixar algumas pessoas chateadas.
Aos divinopolitanos, relaxem! Afinal, tudo não passou de uma brincadeira. E a Samuel Rosa, sei que tudo foi uma brincadeira, mas tenha cuidado com o que diz, afinal nem todos levam na esportiva.

Lucas C. Silva

domingo, 24 de junho de 2007

Jornais

É gente, assistir aos jornais tá cada vez mais difícil e desesperador... Não vejo sequer uma notícia boa há alguns meses. Só caos aéreo, aquecimento global, corrupção, políticos sendo inocentados e tiroteios... Nas escolas o caos impera, nos estádios as brigas são cada vez mais comuns. Poxa, isso é desesperador! Será que não está acontecendo nada de bom no mundo? Será que os cientistas não estão descobrindo nada novo, ou alguém está ajudando muitas pessoas, nem nada disso? Será que não existem mais motivos VERDADEIROS para rir? Onde está a paz, o amor e a tranqüilidade? Onde estão as coisas boas da vida?
Do jeito que as coisas estão, tô começando a entender porque muita gente decide não ter filhos... Afinal, pra que pôr outra vida no mundo pra sofrer o que já sofremos hoje em dia? E as coisas só estão piorando... Pelo menos é isso que dizem os jornais. Um dos meus maiores sonhos é ser pai. Deve ser muito maneiro pegar o filho no colo... Mas do jeito que as coisas estão, pra evitar o sofrimento de um ente querido, tô começando a pensar que é melhor isso ficar só nos sonhos mesmo.
É... a esperança é a última que morre, mas não é imortal. A minha tá na UTI e tá cada vez pior!

Lucas C. Silva

quarta-feira, 20 de junho de 2007

Eu quero...

Eu quero acordar de manhã ao som dos pássaros, quero passear pelas ruas tranqüilo, sem medo de ser assaltado ou morto. Quero dormir a noite sem medo de uma bala perdida atravessar minha cabeça enquanto eu sonho. Quero ligar a TV, assistir aos jornais e não ver que outra criança foi baleada enquanto ia pra escola, que outra pessoa foi seqüestrada e que outro grupo de turistas foi roubado ao chegar aqui.
Eu quero dizer que sou de Divinópolis e não ouvir ninguém rindo disso. Quero sair com minhas camisetas do Atlético e não ser chamado de botafoguense. Quero acordar e ver as montanhas de Minas, passear pela lagoa da Pampulha, dirigir meu Stilo pelas ruas de Belo Horizonte e ouvir Willy Gonser narrando os jogos do Atlético. Comer pão-de-queijo no café da manhã, pão com mortadela e guaraná Pon Chic no lanche da tarde e tropeirão aos domingos no Mineirão.
Quero abraçar uma garota, beijá-la e dizer ‘eu te amo’. Quero ser abraçado por uma garota, ser beijado e ouvi-la me dizer ‘eu te amo’. Quero andar de bicicleta com uma menina, viajar com ela, afagar seus cabelos, deitar em seu colo enquanto ela me acaricia. Quero agradecer a Deus todas as noites por ser feliz ao lado dela. Quero me apaixonar e não sofrer por isso. Amar e ser amado. Quero me casar, formar uma família e viver com a mesma mulher pelo resto da vida.
Quero viajar. Acordar num lugar e dormir em outro completamente diferente. Pegar minha bicicleta e sair sem rumo. Quero esquiar em Bariloche, andar de camelo no Saara, ver as horas no Big Ben, dar um mergulho na Austrália e gritar para ouvir o eco no Grand Canyon. Quero ser um aventureiro. Dar a volta ao mundo em oitenta dias, voar da Terra à Lua, e viajar vinte mil léguas submarinas. Quero aprender novas línguas, conhecer novas culturas e fazer novos amigos. Poder dizer aos meus netos que já visitei todos os países e contar a eles sobre as pessoas e lugares incríveis que conheci.
Quero falar o que penso sem ser castigado, julgado ou caçoado. Quero brincar na neve, jogar futebol na chuva, andar de bicicleta no barro, deitar na grama e olhar as estrelas. Quero tomar sorvete numa pracinha do interior, conversando com meus primos e vendo a tarde passar. Quero voar, ver o mundo inteiro lá de cima. Levar meus filhos ao Mineirão. Assistir a um Atlético e Cruzeiro sem medo de apanhar dos cruzeirenses. Quero assistir esse jogo cercado pelas duas torcidas, com pais e filhos nas arquibancadas assistindo ao espetáculo usando suas camisas azuis e alvi-negras lado a lado. E sair do estádio rindo com o torcedor adversário sem me importar se o Galo ganhou ou perdeu.
Quero viver num mundo onde valemos mais que dinheiro. Onde corrupção seja uma mentira. Onde as crianças tenham educação, os doentes tenham hospitais, não existam policiais, pois não existe crime. Onde os políticos nos ouçam e atendam nossas necessidades. Quero morar num país onde o eixo Rio-São Paulo não seja o “centro”. Onde o Acre seja tão importante quanto o Rio de Janeiro.
Quero viver num mundo onde as guerras são só de travesseiros, bolas de neve ou bexigas d’água. Onde violência fique só nos livros de história, pra nos lembrar dos erros do passado. Onde o planeta não esteja esquentando, as florestas diminuindo e os animais sumindo. Quero que meus filhos vejam os animais em seus habitats, não em zoológicos ou em documentários da National Geographic. Quero ver os seres humanos fazendo contato com os ETs e aprendendo com eles como viver mais e melhor.
Tudo o que eu quero se resume em três palavras:
Quero ser feliz.

Lucas C. Silva

terça-feira, 19 de junho de 2007

Respondendo a Roberto Drummond

Em sua maravilhosa crônica “Para torcer contra o vento”, o grande Roberto Drummond faz uma série de perguntas sobre um dos maiores patrimônios da Humanidade e, se me derem licença, as responderei.
“Ah, o que é ser atleticano?” Ser atleticano é ir do Céu ao Inferno em questão de dias e saber que retornará ao topo mais forte. É ter orgulho de suas cores, de sua história, de suas conquistas. Como o próprio Drummond disse, é torcer contra o vento. É ser injustiçado, roubado e caçoado por pessoas que, na verdade, têm inveja de tudo conquistado pelo Galo. É sair pelas ruas vestindo o Manto Sagrado com o maior orgulho do mundo e mostrar às pessoas que ali tem um torcedor atleticano, e não um simpatizante qualquer.
“É uma doença?” Sim. É uma doença que é passada geneticamente e transmitida pelo ar. Quem vai ao Mineirão e o vê lotado pela Massa acaba contaminado e não existe cura para isso. Acredito que nunca desenvolverão uma cura. Ainda bem, pois sou o doente mais feliz do mundo!
“Doidivanas paixão?” Doidivanas, não tenho certeza. Mas certamente é uma paixão. Em seu sentido original, paixão quer dizer um sofrimento causado por amor. E atleticano sofre! Não por causa do time, mas por causa da arbitragem, nossa eterna inimiga. Sempre há um José de Assis Aragão, um José Roberto Wright, um Márcio Resende de Freitas, ou um Carlos Eugênio Simon, entre tantos outros, para estragar nossa festa. Sempre há um Flamengo, um Corinthians ou um Botafogo que não consegue vencer o Atlético com força própria, então precisa de um empurrãozinho para facilitar as coisas. Eles que nos esperem. Parecem não saber o que diz nosso hino: “Clube Atlético Mineiro, Galo forte vingador!”
“Religião pagã?” Sim. Somos seguidores de uma religião pagã e politeísta. Temos vários deuses e salvadores como Reinaldo, Dadá, Éder, João Leite, Jairo, Said, Mário de Castro, Ubaldo Miranda (meu conterrâneo), Kafunga, Taffarel, Marques, Guilherme, Gilberto Silva e mais uma infinidade de deuses, santos e heróis que vestiram o Manto Sagrado. É uma injustiça não colocar o nome de todos aqui, mas se eu o fizesse, teria de escrever um livro, e não uma crônica.
“Bênção dos Céus?” Sim. Ser atleticano é a maior bênção que podemos receber. É impossível que tamanha força, que leva milhões aos estádios independentemente do dia, da hora, das condições do tempo (não se esqueçam que o atleticano torce contra o vento) ou de qualquer outro fator seja algo terreno.
“É a sorte grande?” Bem, a pergunta final já foi respondida através das outras respostas. Apesar de toda roubalheira e injustiça que enfrentamos nesses quase 100 anos de história, somos felizes, apaixonados, vencedores e acima de tudo fiéis. Os atleticanos são conhecidos por sua fidelidade e apoio ao time em todos os momentos. E isso não é ter a sorte grande?
Infelizmente não pude entregar essa resposta pessoalmente a Roberto Drummond. Esse atleticano de valor se foi numa noite de junho de 2002, em plena Copa do Mundo, deixando uma legião de fãs e de atleticanos órfãos do talento inigualável do escritor que conseguiu, como ninguém mais, retratar a emoção de ser atleticano. Mas sei que, independentemente de onde esteja, ele está lendo isso. E espero que esteja gostando.

Lucas C. Silva

O Estado Maravilhoso

Dizem que o Rio de Janeiro é a Cidade Maravilhosa. Mas se eu pudesse escolher um estado maravilhoso, certamente seria minha querida Minas Gerais.
Minas é terra simples, porém cheia de tesouros. Terra de povo humilde, criativo, hospitaleiro e trabalhador. Terra onde respiramos liberdade, alegria e amor. Onde experimentamos algo único no mundo, uma sensação mágica sem igual.
O pôr-do-sol das serras mineiras é o mais lindo que existe. O céu estrelado das Gerais é algo indescritível e encantador. As verdadeiras cidades maravilhosas, os cariocas que me perdoem, são as pequenas e pacatas cidades do interior de Minas. Cidades onde sentamos no banco da praça numa bela tarde de domingo, tomamos um delicioso sorvete de casquinha com os amigos vendo as lindas meninas mineiras passearem com suas amigas. Ouvimos o verdadeiro sotaque mineiro e não aquele artifical da TV. Onde ouvimos os verdadeiros "uais", os verdadeiros "sôs" e os verdadeiros causos, ouvimos os pássaros cantando, os grilos fazendo sua barulheira a noite e o galo cacarejando todas as manhãs.
O povo mineiro é único no mundo. Nossa cultura, culinária, música e arte são admiradas em vários estados e países. Se o mineiro Alberto Santos Dumont (os irmãos Wright são uns safados, mentirosos e sem vergonha!) não tivesse inventado o avião, ainda estaríamos viajando lentamente pela terra ou pela água. Outro mineiro conhecido mundialmente é Édson Arantes do Nascimento, o Rei Pelé, o melhor jogador de futebol da história. (Mesmo que pra mim, o verdadeiro rei do futebol é outro mineiro, José Reinaldo de Lima, o grande Reinaldo, Rei do Mineirão!) E por falar em futebol, pra mim não tem a menor graça Fla Flu, nem Palmeiras e Corintihans e nem Grenal ou Atletiba. Lindo mesmo é o Mineirão lotado, com as arquibancadas nas cores preto, azul e branco. Lindo mesmo é um Atlético e Cruzeiro, com muitos lances bonitos e, principalmente, muito respeito entre as torcidas. Claro que prefiro ver o Atlético vencer, mas independentemente do resultado, o Mineirão nas cores do Galo e da Raposa é o estádio mais lindo do mundo e, quem sabe, do universo!
Quem conhece Minas não esquece jamais e quem não conhece não faz idéia do mundo que existe naquele abençoado pedaço de terra. Sinto imensa felicidade e orgulho por ter nascido mineiro. Ao mesmo tempo, sinto profunda tristeza e inveja dos outros mineiros por terem morado lá e eu nunca ter tido esse prazer. Sei que posso parecer ufanista nessa crônica, mas não ligo. Pra mim, Minas é o lugar mais maravilhoso que existe. Se eu pudesse, deixava tudo pra trás só pra poder morar nesse Estado Maravilhoso chamado Minas Gerais.

Lucas C. Silva

segunda-feira, 18 de junho de 2007

Lucas Conrado

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A certidão de nascimento diz que sou mineiro de Divinópolis. O coração diz que sou mineiro de Carmo do Cajuru. Sei é que nasci em Minas Gerais, fui criado em São Paulo e desde 2003 estou perdido no Rio de Janeiro. Estudo Jornalismo, jogo video-game, tiro fotos, faço tirinhas, caminho muito, escrevo muito, twitto muito e já estagiei no Canal Futura, com assessoria de imprensa e hoje estagio na Ciência Hoje das Crianças, além de escrever para o Tech Tudo. Amo minha família, meu cachorro, Minas Gerais, BH radicalmente, o Atlético Mineiro, meus amigos, minha bicicleta e fotografia. Sou nerd, apaixonado por filmes blockbuster, livros de ficção científica, contos, crônicas, aviões e pelo Chile. Me apaixono muito fácil, quebro a cara muito fácil e assim levo a vida feliz. Sou um tímido extrovertido. Um cara calado que fala muito. Um observador que nada vê. E minha única verdade absoluta é que não existem verdades absolutas.

Só para constar: Conrado é sobrenome.